Maria Rita, voz & artifício

Na semana passada, Maria Rita trouxe a São Paulo o show de sambas fundados no repetório de Samba Meu (Warner, 2007). E exibiu, um pouco mais nítidos e delineados, os princípios norteadores desse curioso álbum.

Se a apresentação da noite de sábado 15 puder servir como parâmetro, é preciso logo ressaltar: há um pequeno e ainda não dimensionado fenômeno em curso. Poucas vezes vi, num palco de shows (e me lembro, como caso exemplar, de um show de Fábio Jr.), tamanha empatia, tamanha identificação direta entre artista e público.

Naquela noite, os espectadores de Maria Rita (quem são, quem serão?) cantavam em coro devotado <b>todas</b> as músicas que ela desfiava, fossem do primeiro disco, do segundo ou do terceiro, fossem sambas alegres ou baladas melancólicas, fosse para acompanhá-la ou para seguir o comando da “líder” e cantar no lugar dela. Um estado de exaltação e entusiasmo percorreu o show, de fio a pavio.

Há que pensar nas possíveis razões para tal criculação de eletricidade, em ambiente essencialmente acústico e em espaço tão árido quanto o das mesas comportadas e apertadas de uma casa fast-food de espetáculos.

Maria Rita acoplou-se a um material musical de fácil e imediata comunicação, que setores expressivos da mídia e dos estratos (supostamente) mais informados e aculturados do público não gostam de reconhecer e legitimar. Na (dita) crítica musical, não se ouve falar com freqüência das qualidades de sambas de Arlindo Cruz & cia. E a platéia da a princípio elitista Maria Rita canta em coro, bananas para os mais elitistas.

Um detalhe de bastidor, mas talvez importante: de Samba Meu para cá, Maria Rita conta com o apoio do empresário musical Rommel Marques, que até há pouco gerenciava a carreira de Zezé di Camargo & Luciano, do ápice sertanejo ao ápice do filme 2 Filhos de Francisco. Ou seja, o projeto de comunicabilidade e popularidade é programático, não tem nada de casual ou fortuito.

E Maria Rita, dentro desse contexto, como se comporta? Como moça rica, fina, elegante e sincera desejosa de cair no samba, no partido-alto, no pagode e nos braços do “povo” do Citibank Hall? Pois sim, pois não, quem sabe, talvez. Hoje é perceptível, nela, uma procura dedicada pelo prazer de cantar e de se relacionar com a música, pela comunicação real (e não só protocolar), pela sensualidade, pelo estabelecimento de contato entre realidades díspares (e às vezes reciprocamente hostis).

A atitude lhe traz conseqüências, por certo. O roteiro do show oscila e se descontinua, quando se passa, por exemplo, de um pagode de fundo de quintal para uma festa cigana de Milton Nascimento, ou de Samba Meu para o repertório mais tenso e sorumbático de anos atrás. O vaivém mostra que Maria Rita tem sido uma artista diferente a cada disco que lança (e eis aí um fato pouco notado e reconhecido, até hoje). É um risco assumido, que a leva a pisar firme e a pisar em falso, mas que a coloca na nobre categoria dos criadores que se arriscam, que não ficam à janela, carolinas, esperando a banda (que nunca passa) passar.

Aqui e agora, a quente, é possível afirmar que ao menos um dos riscos enfrentados é (ou foi, naquele sábado) prontamente vencido por Maria Rita. Ela quer sambar enquanto canta, e não se economiza um minuto sequer: samba, dança, rebola, ensaia passos de funk carioca, balança os braços em arco incitando a cumplicidade do público, desajeita-se, zanza no palco para lá e para cá. E, em geral, a voz não cede, não dá solavancos, não falha, não se desestabiliza (aqui não há muita oscilação).

Falando o mesmo de modo mais direto, Maria Rita canta muito, muito, muito bem. Mesmo em esforço ginástico, exibe raras segurança, pronúncia, nitidez e capacidade de emocionar (sobretudo em passagens musicais mais exaltadas, que, não, não é apenas o público que se exalta).

Os excessos eventuais, em dança, canto, repertório (ou, afrouxando o foco, em trejeito, figurino, cortinas do cenário), podem pesar como artifícios incômodos diante dos ouvidos e olhos (inclusive os dos fãs hipnotizados, será?). Mas, afinal, são bem eles que fazem linha auxiliar e abrem alas à constatação crucial, de que estamos, sim, diante de uma contundente e musculosa intérprete musical, na tristeza & na alegria.

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25 Respostas to “Maria Rita, voz & artifício”

  1. Janaina Faustino Says:

    Olá, Pedro! Muito legal ‘ouvir’ novamente este ‘ruído’…
    Vida longa ao blog, viu?!
    Bacana também o texto sobre o show da Maria Rita. Lembro que em uma das entrevistas concedidas durante o lançamento de “Samba meu”, ela falou sobre esse desejo de arriscar-se, de desconstruir esse ar de diva que, segundo ela, os dois primeiros discos criaram. Ela colocou não queria ficar ‘encastelada’ no espectro da chamada MPB, ser classificada como MPB. Você acha que ela conseguiu isso? Será que o samba hoje já não carrega uma ‘aura’ que o coloca em uma posição relativamente confortável dentro da música brasileira? Um abraço pra você, Janaina.

  2. vinilepore Says:

    Olá Pedro, como vai?!

    Gostei do blog novo. ta mais ‘adulto’, hehehe…

    obrigado péla palestra lá na cult.

    passe no meu blog qualquer hora.

    abraços

    Vinícius Lepore

  3. Leo Levorin Says:

    Olá. Agora tá explicado porque os ingressos se esgotaram rapidamente, ela realmente tem uma legião urbana de fãns, na concepção da palvra. Parabens pelo blog. Leo

  4. Pedro Alexandre Sanches Says:

    Vinícius, obrigado (você esqueceu de colocar o link do seu blog?, ou eu que não soube encontrar?)! Eu achei muito, muito legal a palestra lá da “Cult”, eu é que agradeço.

    Leo, hahaha, uma legião urbana de los hermanos, será? e você tentou ir e não conseguiu ingresso, foi?

    Gracias, Janaína! Acho que não sei responder seguramente as suas perguntas. Seria prematuro dizer que Maria Rita conseguiu, com base num único show, mas que há pistas indicando essa direção, isso há. E, bem, com certeza esse fenômeno de incorporação mútua entre a “MPB” e o “samba” está em pleno curso, sim, por mais que nenhuma das partes goste muito de admitir isso…

    Ah, a propósito do seu comentário, acho que não custa copiar aqui o texto que escrevi na “CartaCapital” (462) quando saiu o “Samba Meu”, e que contém algumas declarações da Maria Rita à época:

    Maria Rita do morro

    “A tal da MPB virou uma coisa altamente elitizada”, propõe a cantora Maria Rita. O tema-tabu, evitado pela maioria de seus pares, é o norte da artista no ato de lançamento do terceiro álbum, Samba Meu (Warner). “É um dilema para mim, me incomoda essa história de MPB ter se elitizado, de dizerem ‘MPB é música de rico’. Porque fraciona incrivelmente o mercado, e não é verdade, não é realista.”

    Ciente da clausura em que vive a outrora orgulhosamente batizada “música popular brasileira”, ela se alia ao que talvez seja um modismo atual, de uma leva de intérpretes identificados com a MPB de extração universitária (como Marisa Monte e Roberta Sá) que abraçaram o samba como veio de expressão. Maria Rita, no entanto, radicaliza a opção. Mais de metade do repertório de Meu Samba é ocupada por canções compostas por Arlindo Cruz, Serginho Meriti e outros nomes egressos do núcleo conhecido como Fundo de Quintal, geralmente desprezado pela “nata” da MPB e seus admiradores.

    Na tentativa de pavimentar a ponte entre o samba e a MPB, a filha de Elis Regina e Cesar Camargo Mariano adiciona ao trio jazzístico testado nos dois discos anteriores farta instrumentação de samba. A produção é de Leandro Sapucahy, um sambista carioca “tradicional” que, no entanto, tocou com Marcelo D2 e costuma adotar temática e vestimentas do hip-hop. Os sambas, ao mesmo tempo simples e sofisticados, são quase sempre inéditos (a pungente Trajetória foi gravada em 1997 por Elza Soares, uma sambista “do morro” que há décadas peleja na determinação de cruzar a ponte samba-MPB). Aos sambas de fundo de quintal tipo anos 80, Maria Rita soma uma e outra referência pinçada dos trabalhos de Paulinho da Viola e Gonzaguinha na década de 70.

    Um outro bloco do disco é dedicado a canções de autores novos, e não necessariamente sambistas. É o caso das duas fortes canções do híbrido compositor Edu Krieger, Novo Amor (gravada simultaneamente por Roberta Sá) e Maria do Socorro. Filho do maestro erudito Edino Krieger, ele acaba de lançar um disco em que coexistem pop, rock, samba e erudição (Novo Amor, um choro, faz pensar de longe em Villa-Lobos).

    Outro caso é o da dramática faixa-título, de Rodrigo Bittencourt, assim definido por Maria Rita: “É um menino de Bangu, um roqueiro, mais pop. Ele diz que não é sambista”. No entanto, escreveu versos como “o meu samba vai te acordar do sono”, usados na abertura do CD da moça da MPB que luta para se deselitizar. – POR PEDRO ALEXANDRE SANCHES

  5. eluedy Says:

    Oi Pedro, queria te apresentar meu blog (vizinho seu, aqui no wordpress). Mas como é que a gente vai fazer agora? Vamos acompanhar os dois blogs – o do nlospot e este do wordpress?
    Segue o link do meu blog:
    http://diversidadecultural.wordpress.com/

  6. eluedy Says:

    errata: onde se lê “nlospot”, leia-se “blogspot” :-)
    abs
    Ediardo

  7. Janaina Faustino Says:

    Oi, Pedro. Tudo bom?
    Sim, as declarações de Maria Rita tocam exatamente nos pontos que mencionei. Gostaria, então, de destacar dois aspectos que me parecem relevantes pra gente pensar essa questão do samba e da MPB: o primeiro diz respeito a uma espécie de incompreensão, incoerência, falta de conhecimento ou contradição por parte dessa chamada “elite brasileira”. Porque, como sabemos, a idéia “original” de MPB – como uma sonoridade “engajada” e produzida por uma geração universitária na década de 60 -, foi forjada a partir de uma busca por aquilo que eles tomavam como a “autêntica” música brasileira. E, neste processo, o samba – de “gênero” marginalizado desde o século XIX – foi apropriado por essa turma que defendia o projeto “nacional-popular”, se tornando “a música brasileira” por excelência, parte do manancial cultural ao qual todos – incluindo aí dona Elis Regina – deveriam recorrer na disputa pelo mercado da música e na luta contra o “estrangeirismo alienado” simbolizado pela Jovem Guarda e, mais tarde, pelos “cafonas”. Eu acredito, então, que o samba constitui parte da MPB, um de seus múltiplos vértices. E aí, sim, como você disse, alguns representantes de ambas as partes não gostam muito de admitir essa relação. Mas essa recusa não faz muito sentido pra mim. Neste sentido – já destacando o outro ponto -, recorrer ao samba me parece uma boa estratégia pra se legitimar no campo da música e, ainda, flertar com musicalidades que se aproximam. Por isso que concordo quando você diz que talvez haja um “modismo atual” nesse processo. A infinidade de cantoras que recorrem ao “gênero” é incrível – Marisa Monte, Roberta Sá, Mariana Aydar, Maria Rita…. – e isso, mais uma vez, sugere uma fórmula pra se consagrar. Logo, não acredito que haja ruptura – embora esta palavra seja forte demais – com o que se convencionou chamar de MPB, pois o samba foi incorporado e é parte disso. Um abraço pra você.

  8. Pedro Alexandre Sanches Says:

    Janaina, sim!, e me permita acrescentar algo à sua argumentação: você comentou brilhantemente o papel do pessoal “nacional-popular” (Elis & cia. – Chico, Edu etc.?), mas a patota tropicalista logo em seguida encampou um lugar central nesse intrincado jogo de xadrez, não é mesmo? Caetano & cia. peitaram a recusa ideológica de se filiar a pólos rígidos do tabuleiro, tipo “nacional-popular”, tipo “samba”, tipo “direita” (num extremo) ou “esquerda” (em outro). Mas, como resultado desse combate, Caetano & Gil “tomaram o poder” do cenário musical, e com o tempo se tornaram expressões máximas daquilo que talvez intimamente eles combatessem – e que mais tarde seria encadernado (para usar, não à toa, um termo do Tom Zé) na consagração do nome-rótulo-jaula-clichê “MPB”. Embora muito se negue por dentro essa polarização (Chico versus Caetano, por exemplo, ou tropicália versus samba, sobre a qual deito falação no meu já carcomido livro “Tropicalismo – Decadência Bonita do Samba’, de 2000), não acho que tenha sido à toa que uma disputa comercial orientou, naquele réveillon fatídico (de que ano mesmo?), um cisma entre Caetano & Gil, de um lado, e Paulinho da Viola, do outro…

    Mas, falando dos dias de hoje, acho que ainda é embaçado para enxergarmos nitidamente o que está acontecendo, né? No caso da Maria Rita, deixadas de banda outras questões, acho interessante a gente prestar atenção desde já em se ela está ou não conseguindo cumprir um de vários objetivos mencionados (e não-mencionados), que é esse de desfazer barreiras entre classes sociais, aproximar universos distintos etc. & tal. Por aquele show de sábado, acho que está (notei, por exemplo, uma presença maior de platéia negra do que costumo ver nas casas fast-food de espetáculos). Mas, concordo com você, é preciso refletir bastante sobre se há de fato toda essa propalada “diferença de classes” entre MPB e samba, ou entre setores da MPB e setores do samba. Nunca é demais lembrar, por exemplo, que o mesticíssimo Zeca Pagodinho, hoje um dos sambistas mais identificados com termos como autenticidade, popularidade, simplicidade etc., é atualmente um dos melhores amigos pessoais de Gilberto Gil, tropicalista “complexo”, (ex-?)não-sambista, (ex-?)não-militante-negro e nada mais nada menos que nosso atual ministro da Cultura…

    Pra lá de interessante esse tabuleiro cheio de surpresas e paradoxos, não?

  9. Pedro Alexandre Sanches Says:

    e(duardo)luedy, obrigado pelo link, visitei seu blog, gostei, adicionei aos meus favoritos e me identifiquei especialmente com o texto “Crítica e preconceito: quando o gosto popular deve ser repreendido” (recomendo a todos, aliás). Fiquei pensando que talvez eu não conseguisse concordar muito com seu escrito em 2005 (apesar de que eu não era um dos jornalistas presentes no debate com Tom Zé, hehehe). Mas hoje concordo à risca – sempre gosto de pontuar que foi o livro “Eu Não Sou Cachorro, Não”, do Paulo César de Araújo, que dividiu em dois o meu próprio ideário “crítico” (muito contaminado por preconceitos, em tempos de “Folha”, hoje consigo admitir e enxergar), e me fez crescer à beça a respeito desse assunto (a “Folha”, na época, só me deixou escrever um texto deste tamanhinho sobre o “Eu Não Sou Cachorro, Não”).

    A propósito, acho que o seu “Crítica e preconceito” se comunica indiretamente, na curva maluca do espaço-tempo que a internet propicia, com o que comentei recentemente no meu outro (e mais antigo) blog, http://www.pedroalexandresanches.blogspot.com/), no tópico “assaltaram os comandos paragramaticais”. Não? Preconceito é tudo igual, seja musical, lingüístico, racial, sexual etc. etc. etc.

    A propósito, também, esse texto-piada “Cuidado com as drogas!!!” do Luís Fernando Veríssimo, que você copiou no seu blog, podia muito bem ser definido como… “uma droga!!!”, né?! Abaixo o(s) preconceito(s), todo(s) ele(s)…

  10. eluedy Says:

    Que bacana, Pedro! Pois, pois: você sabe que eu tenho acompanhado o Bagno já há algum tempo? O debate sobre preconceito linguístico que ele encampa me anima muito. Tenho utilizado com frequência seus textos em minhas aulas (sou professor) como mote para discutir meus tópicos favoritos: arte, cultura, relativismo, preconceito, política cultural etc etc.
    Fiquei, pois, muitíssimo contente de ver que vc também se animou com a entrevista dele – o que para mim confirma o meu sentimento de identificação com os seus textos, suas idéias e, principalmente, com seu discurso.
    Aliás, adorei o post (lá no blogspot) em que vc destaca e comenta trechos das falas de Bagno.
    Agora, também tenho minhas diferenças contigo :-) O que é bom, né? Imagine se a gente concordasse com tudo sempre, a gente parava de escrever e de debater.
    Volto em outro momento para discutirmos Caetano, Gil & Cia.

    Um grande abraço,

    Eduardo Luedy

  11. Janaina Faustino Says:

    Olá, Pedro! Tudo bem?
    Pois é, acabei não citando Caetano, Gil e companhia… E a luta dos “baluartes” da MPB era contra a Jovem Guarda, os “cafonas” e os tropicalistas, sim. Mas não mencionei exatamente por aquilo que você destacou: embora tenham surgido pretendendo subverter e complexificar aquele cenário, eles terminaram, com o tempo, “tomando o poder”. E hoje são “autoridades” desta “instituição”. Além disso, antes de brigarem e se lançarem na “cruzada tropicalista”, eles eram da mesma “turma” de Chico e Edu, se frequentavam, eram amigos e tinham – embora partindo de pontos de vista ideológicos, comportamentais e políticos bastante diferentes – pelo menos um inimigo comum: os militares. E, como sabemos, a grande idéia tropicalista era fazer um mix antropofágico de quase tudo, não? Incluindo aí, claro, o “protesto”.
    Bom, mas retomando a questão sobre Maria Rita, continuo achando que ela parece mais um clone malfeito da mãe do que qualquer outra coisa. Nos shows dos primeiros discos, então, isso transparecia de forma quase constrangedora. Ela pode cantar bem e tudo o mais, mas acredito que ainda peca por não ter grande originalidade. Como comentei anteriormente, acho que “Samba meu” é uma estratégia pra se consagrar. De qualquer modo, talvez ela tenha, sim, inovado ao gravar sambas de (entre outros) Arlindo Cruz, um artista ainda sem “passe-livre” no “clube” da MPB. Concordo que, neste movimento, ela tenha mesmo “radicalizado” esta opção, fugindo da obviedade das demais cantoras, que recorreram a Velhas Guardas e outros sambistas já legitimados.
    Vejamos no que tudo isso vai dar. Um abraço.

  12. HILARIO Says:

    Rapaz, daqui de Florianópolis, parabéns pelo ótimo comentário sobre Maria Rita. Você é a primeira pessoa que vem a público, desde que a moça lançou seu primeiro disco, falar sobre Maria Rita, seu trabalho e performance, sem ser piegas, sem fazer qualquer relação dela com a mãe. Muito bom e necessário esse “descolamento” de imagens. Cada qual com sua qualidade e mérito. Mas são duas pessoas. Mais uma vez parabéns.
    Hilario (isso mesmo). 21.03.08

  13. gabi herculano Says:

    olá!

    Quero dizer que este post não me causou surpresa, todavia só confirmou uma impressão que tenho desde que ouvi a primeira execução de “A Festa” na rádio. Assisti ao último show da turnê de “Segundo” na Fundição Progresso aqui no Rio, e se vocês querem saber: não se ouvia quase a voz da cantora. Pergunto: Qualidade da acústica? Potência de voz da cantora? Respondo: Não. As quase 5 mil pessoas que lotaram a Fundição numa noite de chuva braba aqui no Rio cantava em alto – muito alto – e bom som TODAS as músicas. Eu saí afônica do show! Essa empatia existe, e ouso afirmar que não tem muito a ver com badalação da linhagem familiar, da gravadora, da publicidade. A qualidade do repertório, a sonoridade diferenciada a cada frase cantada, conferem a Maria Rita uma identidade que para aqueles que acompanham a história dos álbuns até aqui lançados só resta o extase nos shows.

  14. Adriana F. Says:

    Só pra dizer que estava com saudades de ler suas críticas!
    beijos

  15. luana Says:

    Em minha opinião vc traduziu Maria Rita…
    Traduziu o sentimento que a santa transmite e que nos contagia.
    É esse sentimento que faz com que, mesmo com as intempéries e discordâncias no meio dos caminhos que ela escolhe, sejamos levados à uma admiração e uma explosão interna muito grande- leia-se xiitismo- Talvez por isso as letras em coro, as casas lotadas e o ar legítimo de fidelidade, de cumplicidade, afinal, ela nos traduz sentimentos e nunca deixa de ser intensa com a música que faz. Seja qual for a forma com que ela nos apresenta essa intensidade -jazz, alma ou samba- pra mim é sempre como se eu estivesse participando de algo muito grande, algo muito maior do que simplesmente ver alguém cantar.É como ela disse, pra mim Maria Rita é um canal, ela transmite ali em cima daquele palco algo que com muita facilidade se sente, mas que dificilmente se explica.

  16. Pedro Alexandre Sanches Says:

    Eduardo, certamente, viva a(s) diferença(s)!

    Janaina, agora entendi melhor sua opinião sobre Maria Rita, mas olhe, não concordo contigo nesse ponto, não, viu? Indo mais na direção apontada pelo Hilario (obrigado pelo comentário carinhoso, Hilario!), eu acredito que esse hábito de tomarmos Maria Rita (ou outro artista qualquer) sempre e exclusivamente sob o prisma da comparação com a mãe não faz mais que ocultar (e meio mal) um profundo comodismo e uma colossal preguiça analítica da nossa parte.

    OK, as semelhanças da artista em questão com todo-mundo-sabe-quem talvez revelem algum tipo de limitação dela, mas e a insistência nossa em bater sempre e apenas em todo-mundo-sabe-qual-tecla? Não revela algo análogo, uma limitação analítica nossa, ou no mínimo uma resistência em trilhar caminhos ainda não percorridos, para lá do arroz-com-feijão que todo mundo já comeu? (Nesse sentido, Hilario, agradeço você ter percebido minha indisposição em comparar ou mesmo em citar todo-mundo-sabe-quem, que ela foi proposital mesmo…)

    Também não concordo, Janaina, com essa classificação de Maria Rita como “clone malfeito”, ou mesmo como “clone”, meramente, de você-sabe-quem. Ora, nós não somos “clones” dos nossos pais, nós somos… FILHOS deles!!! Se Caetano e Bethânia não tivessem tido a “sorte” de serem filhos de pais não-“famosos”, será que eles não estariam até hoje sendo xingados de “clones malfeitos” da Dona Canô?

    Gabi, Luana, obrigado pelos depoimentos. Interessante esse ponto do “xiitismo” que você mencionou, Luana, acho que nunca é demais a gente sempre prestar atenção nesse ponto, né?

    Querida Adriana F., obrigado! Estamos sempre “pelaí”, êê!

  17. guto Says:

    Pedro,
    Todo mundo que me diz que viu Maria Rita se derreteu. a moça deve ter esse Q de Elis Regina mesmo. Mas o que se vê na tv não é a melhor coisa… tem um ímã ao vivo que deve realmente funcionar. Quem sabe uma nova legião de fãs como tiveram os Los Hermanos. Mas não se se vc a viu no Serginho Groisman a falta de cuidado (quase desprezo) com a Dona Ivone Lara. Ela foi chamada para fazer uma participação especial no lançamento desse cd e tão logo a Dona Ivone terminou a música ela foi saindo sem a mínima atenção da moça. Fica uma coisa muito forçada…. enfim, não sei se eu gosto tanto dela ainda…

  18. Janaina Faustino Says:

    Oi, Pedro, como vai?
    Tudo bem, não há qualquer problema em discordar da minha opinião! Acho que não podemos e nem queremos concordar com tudo, né?
    Pensamos parecido em alguns aspectos e completamente diferente em relação a outros, o que considero ótimo. Toda crítica implica em valoração e envolve a escolha de determinados critérios de análise. O processo é assim, não há como fugir disso. Durante todo o tempo estamos valorando – seja de forma positiva, negativa ou de ambas as maneiras -, classificando ou posicionando um artista, através de nossos discursos e falas, em determinado lugar. Acabei lembrando agora do Paulo César de Araújo, que você citou ao responder a mensagem de algum colega aqui. Ainda pensando essa questão da valoração, o que considero fantástico no “Eu não sou cachorro, não” é o fato de o Araújo ter mostrado como os “cafonas” permaneceram em uma espécie de ‘não-lugar’ tanto para a historiografia sobre música popular quanto para a crítica. Porque não foram enquadrados nem na corrente da ‘tradição’ e nem na da ‘modernidade’, sendo simplesmente esquecidos. Com o tempo, então, descobriremos qual terá – ou se terá – sido o papel de Maria Rita neste processo, neste movimento de revisão das hierarquizações e dos cânones sobre o qual falamos em outro momento. Vamos perceber, ainda, qual lugar caberá a ela, só pra lembrar mais uma vez o Araújo. Mas eu continuo pensando da mesma forma sobre a trajetória dela até aqui. E, no meu caso, não é por preguiça analítica ou comodismo, mas exatamente pelo contrário. Um abraço pra você, Janaina.

    A propósito, o que você achou do “América Brasil o Disco”, de Seu Jorge?

  19. Pedro Alexandre Sanches Says:

    Guto, perfeitamente compreensível esse sentimento de “não sei se gosto tanto dela ainda”, não? Afinal, quem disse que a gente precisa saber? Se eu pensar que até hoje, por exemplo, ainda não sei direito o que sinto por uma tal sra. chamada você-sabe-quem…

    Janaina, tudo certo (como dois e dois são cinco), então! Concordantes na discordância, e vice-versa! (Ah, sobre o “América Brasil” do Seu Jorge, seria temerário eu dar palpite assim de chofre, sem estar com o disco grudado nos fones de ouvido… Mas qualquer hora ele pinta por aqui, esperaí.)

  20. luana Says:

    Guto, o problema no altas horas com dona Ivone Lara não foi culpa da Maria Rita não, é que nesses especiais do programa em que um artista leva convidados, esses convidados só cantam uma música e saem.Com a saúde já debilitada ela não anda com tanta firmeza, e alguém da produção não teve a brilhante idéia de fazer um comercial quando a música acabasse, então a dona Ivone teve que sair do palco à seus passos-bem devagar- ao vivo, com todas as atenções voltadas à ela depois de catar uma só canção.No momento me pareceu mais que a Maria Rita se sentiu constrangida com a situação do que de ter sido desleixo dela, pois a Lecy Brandão se apresentou nesse mesmo programa com a Maria Rita e até chorou diante das homenagens da platéia puxadas por ela e por lázaro ramos-que tbm estava presente.Ao meu ver foi mais constrangimento pela situação bizarra que a dona Ivone estava passando do que desprezo, se você a conhecesse saberia que não foi nada disso…

  21. jamilee Says:

    Maria Rita é uma extraordinária artista da música e dos palcos que fará história no cenário artístico sem sombra de dúvida. Poderia mesmo ser aquela menina rica, fina, elegante, mimada, guardada a sete chaves, sofisticada e distante. Mas não é. É simples e carismática, não tem espírito de celebridade intocável e poderia ter, gosta do povo, do morro, do samba, dos sambistas, da velha guarda, da Lapa, de Sampa, dos artistas, do Rapa, do enfoque social, venera os ícones, adora Milton que adora Elis, mas também Los Hermanos, Lins, Maranhão, todos os jovens para quem abre portas monumentais com o prestígio de seu carisma, ama as damas da televisão e as grandes cantoras que cantaram com Elis e respeita profundamente os de sua geração, tem um exército de fans cada dia mais delirantes, é notável no palco com seu modo de cantar samba, mpb, jazz,
    latino, bolero, o que cantar, tem uma alegria e ao mesmo tempo uma emoção sem limites quando canta e quando chora cantando. É isso tudo a Maria Rita. Gostar ou não, aí é uma questão de cada um. Mas todo mundo terá que se render ao fenômeno Maria Rita luminosa, filha maravilhosa de Elis Regina Carvalho Costa e Cesar Camargo Mariano, irmã dos Elisianos João Marcelo e Pedro e mais de Marcelão e Luiza, todos músicos galáticos.

  22. Pedro Alexandre Sanches Says:

    Hum, uns comentários com um jeitão de fã-clube, hein?…

  23. Daniela Sequeira Says:

    Oi Pedro! Gostei muito do seu espaço novo! Meu amigo Dafne (Sampaio) sempre fala do seu blog e decidi me aventurar pelas suas páginas hoje e ADOREI! Fiquei muito tocada com a matéria do Clube da Esquina (quero muito “rearranjar” meus ouvidos pra ouvir essa turma com menos “nãos”) e também com essa do RUÍDO sobre a Maria Rita. Não vou negar: ADORO a moça desde o primeiro disco e confesso que fiquei um tanto atordoada com o último. Tenho gostado mais e devo admitir que, com o tempo, achei interessante a mudança de rumo. Tenho profunda admiração por você-sabe-quem, mas acho que Maria Rita tem cara e carreira própria. Enfim, gostei de perceber que você também acha, mas, mais do que isso, que está disposto sempre a rever. Postura valiosa! Conte comigo agora nos dois blogs!
    Um beijo carinhoso,
    Daniela
    PS: Também gostei muito da matéria “paragramatical”.

  24. Pedro Alexandre Sanches Says:

    Oi, Daniela, obrigado pelas palavras carinhosas! Agora eu tô nessa, tentando manejar simultaneamente minhas duas torres gêmeas, hahaha.

    Esse estranhamento seu (se bem entendi) com o terceiro disco da Maria Rita é bacana também, não?, afinal, quem foi que disse que a gente tem que gostar de quem a gente gosta (ou vice-versa, não gostar de quem não gosta) o tempo inteiro, 24h por dia, 365 (ou 6) dias por ano? De repente, colocar matiz nesses sentimentos é até conceder mais riqueza ainda ao(s) objeto(s) dos nossos (des)amores, não?

    Ai, será que, depois de tanta quarentena, já podemos falar o nome da indizível? Elis Regina! Elis Regina! Elis Regina! Pronto, desabafei, haha…

    Porque tem isso, sabe? Só ouço esse blablablá cansativo de que a moça imita a mãe, mas na hora em que ela resolve peitar a mãe, e decretar que “é melhor ser alegre que ser triste”… Um monte de gente assusta, fica ressabiado, combate a moça, né?… Vai entender nossas (des)avenças com nossos (des)ídolos… Ainda somos os mesmos e vivemos…?

    Enfim, obrigado, Daniela, pelos outros comentários, e um abraço pro Dafne!

  25. Luís Lobo (Lisboa) Says:

    Queria dar os parabéns à Maria Rita pelo espectáculo do passado dia 24 de Junho no Coliseu de Lisboa. “Samba Meu” é um disco de festa ao passa que “Maria Rita” é um disco diferente, mais jazzistico e também de grande qualidade.

    Não sei porque é que os agentes de Maria Rita não escolheram uma sexta feira ou fim de semana para os espectáculos em Lisboa. Os espectáculos foram à terça e quarta, e penso que por isso a sala não estava cheia. Além disso os espectáculos foram anunciados muito em cima da hora. Esta FABULOSA CANTORA MERECIA MAIS.

    Espero pelo próximo disco.

    Um abraço sincero e agradecido de Portugal!!

    Luís Lobo

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