Pelas entrelinhas do iê-iê-iê

A seguir, comentários mais ou menos dispersos, quase aleatórios (dentro da imensa riqueza contida nas prosaicas caixinhas de plástico e papel), sobre os 25 CDs da coleção Ídolos da Jovem Guarda, recém-lançada sob os rótulos Rhino e Warner Music Brasil. Sob orientação do pesquisador Marcelo Fróes, a série traz de volta do semi-esquecimento títulos originais de artistas dos pelotões intermediários do “movimento” (ainda faz sentido usar essa expressão?, algum dia fez?) de “música jovem” (?…) que tomou conta do Brasil ao longo, sobretudo, da década de 1960, sob apelidos tão variados quanto rock’n'roll, hully gully, twist, iê-iê-iê, jovem guarda… E são estes os tais:

Veneno (1959), Wilson Miranda - Imediatamente notável do LP de estréia desse cantor paulista é a capa, adornada por uma misteriosíssima figura feminina envolta por panos - veneno? Apresentado como “primeira estrela” da gravadora Chantecler, Wilson Miranda enfileira beguines, sambas e sambas-canção, mais um rock, dois rocks-baladas e um calypso-mambo. O recanto é o da música comercial, potencilamente popular, num momento de evidente indefinição sobre os rumos que o “sucesso” musical iria trilhar nos anos 1960, sob a égide de Jânio, depois de Jango, logo de truculenta ”junta” militar. Prova de que ainda eram imprecisos os limites e barreiras entre gêneros musicais beligerantes, ou entre camadas incompatíveis de públicos-alvo: um dos arranjadores/diretores musicais de tão ligeiro LP é o denso maestro Guerra Peixe, também autor da melodia do samba-canção Vontade de Enlouquecer.

Sambas - Rocks (1960), Wilson Miranda - O LP de 48 anos atrás é um pinote para quem, em 2008, ainda acredite que o rock é o pior inimigo do samba, ou vice-versa, ou coisa semelhante. Os dois gêneros dividem o disco meio a meio, um lado da velha bolacha destinado aos sambas, outro lado aos rocks. No primeiro segmento, justapõem-se de Tito Madi a Erlon Chaves. No segundo, o bonde da história foi mais ou menos generoso com Bata Baby, uma versão em português para o rock fundador Long Tall Sally, que ganharia sobrevida em 1976, ao ser incluída na trilha de saudosismo precoce da novela global Estúpido Cupido.

Ídolo da Juventude (1962), Demetrius - A Continental o apresenta, neste seu segundo LP, como “o maior ídolo de nossa juventude”, “o cantor nacional que conseguiu alcançar, junto aos ‘brotos’, popularidade semelhante aos ídolos ‘importados’”. Se até eram marcantes a estampa e a voz do rapaz (ouça-se, por exemplo, Cinderella, de Paul Anka, em inglês mesmo), sustento mesmo à frívola afirmação do texto era dado pelas fotos de capa e contracapa, nas quais o então versionista carioca de rocks gringos aparecia imerso dentro de multidões femininas fervorosas. Mas o frisson por parte de fãs mocinhas e redatores de contracapa era transitório: no imaginário brasileiro ainda não existia, então, a figura de um moço chamado Roberto Carlos.

Demetrius (1963), Demetrius - Com Blue Suede Shoes, de Carl Perkins, no idioma original. E com Bye-Bye, Love, do repertório da dupla fundadora The Everly Brothers, transformada em Tchau, Tchau, Bem. E Roberto Carlos vinha vindo, estava para chegar de vez. Nota de ausência: a coleção não abrange, infelizmente, o disco seguinte de Demetrius, O Ritmo da Chuva (1964), cujo carro-chefe era a reluzente faixa-título, um dos principais standards romântico-roqueiros dos derradeiros minutos anteriores ao boom da jovem guarda à la Roberto-Erasmo-Wanderléa.

Esta É Giane - A Voz Doçura (1964), Giane - A pronúncia italianada dos erres era típica velha-guarda, e a paulista Giane, nascida numa fazenda em Ribeirão Preto, estaciona aqui nalgum ponto intermediário entre o comércio à antiga e o mercadão pop nascente da “música jovem”, em quindins infanto-juvenis como a versão de Dominique (de Soeur Sourire): Dominique, nique, nique, sempre alegre, esperando alguém que possa amar/ o seu príncipe encantado, seu eterno namorado, que não cansa de esperar. Aos ouvidos de hoje, soa menos infanto-juvenil que infanto-infantil, mas Dominique termina a canção condoída, punida, nique, nique, nique, sempre triste a chorar o amor que se acabou.

Giane (1965), Giane - Preste Atenção, versão para Fais Attention (de J.L. Chauby e Bob du Pac), abre o LP em feitio de dramalhão. Sempre com um pé em lancha “jovem” e outro em canoa “antiga”, Giane parece nesse momento mais determinada a pular de corpo inteiro na segunda embarcação. Os vocais infantis de rotação acelerada, tipo Pato Donald, de Eu Não Posso Namorar podem soar vexatórios a ouvidos de 2008. Mas não custa lembrar que, em 1961, também eram usados num disco de “brotolândia” por uma adolescente gaúcha chamada Elis Regina.

Suavemente (1965), Giane - “Suavemente”? Não, dramas, draminhas e dramalhões como Se Eu Pudesse Encontrar Você ou 15 Primaveras não autorizam o mimoso advérbio que titula o LP. Notas curiosas sobre a instabilidade e a incerteza no imaginário musical de Giane: a) a presença do sambão Lago da Felicidade, de Lúcio Cardim e Nello Nunes; b) a regravação lamuriosa (e emprestada de vozes solenes como a de Maysa) da toada acaipirada de Adoniran Barbosa Bom-Dia, Tristeza, com versos pré-bossa nova de mr. Vinicius de Moraes. Era 1965, Roberto Carlos já mandava tudo para o inferno.

Os Vips (1965), Os Vips -  É o primeiro título da coleção que se poderia classificar tipicamente como de “jovem guarda” ou “iê-iê-iê”. Os irmãos paulistas Ronald e Márcio Antonucci (futuro diretor musical da Globo) traziam à “música jovem” um quê de dupla caipira, mas já sob o formato (sedimentado por Renato e Seus Blue Caps, na CBS) da paráfrase subtropical dos Beatles (Things We Said Today, por exemplo, vira Coisas Que Acontecem, e ajuda a denunciar, se quiséssemos ouvir o recado, como Beatles eram, desde a origem, adoravelmente tolinhos). O sucesso romântico vem da lavra de Roberto & Erasmo Carlos (nos tempos idos em que a dupla ainda compunha hits pop para terceiros), e canta em corinho que eu queria/ pedir pra você ficar/ mas a voz não me saiu/ e eu não pude nem falar. Quinze anos mais idosa que o clássico fox-carlista Emoções, a cançoneta chama-se Emoção.

Joelma (1966), Joelma - Afora garotas coquetes como Wanderléa, Lilian, Vanusa e poucas outras, a seção feminina do iê-iê-iê era mais povoada pelo dramalhão, pelo vozeirão impostado e pelo romantismo exacerbado que fazia diversas mocinhas soarem bem mais velhas do que de fato eram. Nascida capixaba em Cachoeiro do Itapemirim (e conterrânea, portanto, de Roberto Carlos), Joelma surgiu como uma arrebatada entre as arrabatadas, tal qual testemunha a fúria épica de Furacão (ou Thunberball, no original de John Barry e Don Black).

Marcos Roberto (1966), Marcos Roberto - Esse moço de olhos claros (onde foi parar aquele menino?) oferece o primeiro exemplo de modernidade sonora (para os padrões iê-iê-iê, veja bem) dentro da série Ídolos da Jovem Guarda. Composições dele com Dori Edson (Agora É Tarde, Indiferença, Menina Sonho), de Aladim (Canção do Amor Perdido) ou do futuro sertanejo Sérgio Reis (Vá Embora Daqui, Fim de Sonho) procuram se sintonizar com os padrões pop elevados fixados por Erasmo & Roberto. Mas a presença deste Marcos Roberto na coleção vem dar idéia precisa de como era mesmo a gravadora CBS a casa-mãe da jovem guarda, e de como outros selos, como Continental e Chantecler, tinham de correr esbaforidos atrás da própria desatualidade.

Os Vips (1966), Os Vips - Roberto e Erasmo continuam a sustentar, mais ou menos à distância, a viabilidade pop-comercial d’Os Vips. O sucesso rockaipira da vez é A Volta: Estou guardando o que há de bom em mim/ para lhe dar quando você chegar… (Curiosamente, Roberto não deixou as canções dadas aos Vips integrarem seu próprio repertório à época, e só pôs-se a gravá-las recentemente, já em anos 2000.) As limitações (até mesmo em termos de ambição) dos Vips tornam-se nítidas em faixas como Para Quem Sabe Amar, uma tentativa atravessada na garganta de converter ao português do petardo funk Land of 1,000 Dances , gravado em som de trovão por nomes do soul áspero tipo Stax como Wilson Pickett.

O Ídolo Que Volta (1967), Demetrius - Em minha opinião, é disparado o grande título desta coleção, a começar do carro-chefe, a ferina Não Presto, mas Te Amo, ofertada em 1967 para Demetrius (mas também para o romântico José Roberto) por… Roberto Carlos. Egresso da pré-jovem guarda, Demetrius procura aqui se adaptar ao andar da carruagem, polindo pequeninas calotas de polpudo iê-iê-iê, feito a adorável Que Me Importa e, mais simbólica, quase metalingüística, a levemente sacudida Tudo Tem Seu Fim. Quitute metafórico é também Inveja , assinada por Daniel Jr., e portadora de formulações como sou legal e dizem que eu não presto/ inveja, inveja ou falam mal da mocidade/ inveja, inveja. Mais cruciais (e compartilhados por artistas das mais variadas extrações naquele momento de radicalidade) são os sentimentos por trás de versos reativos como os seguintes: O mundo está virado e já não posso compreender/ a mulher foi feita da costela e hoje é quem manda no marido dela. Provavelmete, já era tarde demais para Demetrius ser Roberto Carlos.

Os Vips (1967), Os Vips - No derradeiro LP da dupla na vigência da jovem guarda, Erasmo Carlos fica sozinho na missão de dar alicerce ao sucesso d’Os Vips: Faça alguma coisa pelo nosso amor/ não deixe a saudade nele acontecer/ não deixe que nenhum de nós venha a sofrer/ faça alguma coisa pelo nosso amor… O texto é de romance açucarado, mas a baladinha icônica se chama A Despedida, e prenuncia involuntariamente a desagragação do “movimento” jovem guarda e o encerramento do programa-símbolo homônimo na TV Record. 

Os Brasas (1968), Os Brasas - Esses, apesar de efêmeros, deixaram um legado inventivo, embora amplamente desconhecido. A pegada gaúcha do iê-iê-iê d’Os Brasas é audível em versões como A Distância (Oriental Sadness) ou originais como Beija-Me Agora (do futuro “ídolo” romântico Márcio Greyck) e uma série de rocks assinados pelo Brasa Luis Vagner com Tom Gomes. O primeiro se tornaria virtuose do samba-soul, celebrado em canção suingada por Jorge Ben (Luis Vagner Guitarreiro), e o segundo, jornalista musical. Um outro integrante d’Os Brasas, Franco Scornavacca, lançaria um LP solo quente de samba-rock em 1978 (Franco, com o sensacional O Rock do Rato, de Hélio Matheus), mas se notabilizaria dos anos 80 em diante como empresário de duplas sertanejas e pai dos integrantes do trio pop adolescente KLB. Embora imaturas, as composições de Vagner e Gomes em Os Brasas servem de ponto de partida para uma linhagem de canções inspiradas (e sempre obscuras) que eles criaram a partir daí em clave soul, samba-soul, samba-rock etc., para artistas como Wilson Simonal, Ronnie Von, Tony & Frankye, Leno & Lilian, Deny & Dino, Vanusa, Antonio Marcos, Eliana Pittman e muitos outros.

Viver por Viver (1968), Demetrius - A “volta” do “ídolo” não teve êxito comercial no Brasil pós-jovem guarda e pós-Roberto Carlos, e Demetrius recuou, logo em seguida, a um álbum predominantemente romântico e choroso, e em grande medida ocupado por traduções do veterano versionista e homem de gravadoras Nazareno de Brito. Um toque curioso fica por conta da lírica loa acaipirada Carro de Boi, do próprio Demetrius, em que o artista parecia testar se projetar para outra (e ousada) direção.

Muito Mais (1968), Joelma. Todas falam bem do Jo-Jo/ todas querem muito ao Jo-Jo/ só não sabem que ele é o meu bonitão, canta Joelma, com vozeirão à la Angela Maria ou Dalva de Oliveira, em versão de nonsense involuntário, criada por Nazareno de Brito para um original de Alan Moorhouse, David Gold e Gordon Rees, chamada, er, Jo-Jo. Num tempo em que a tática perdia em prestígio, o combustível de Joelma continua sendo dado pelas versões de sucessos de autores ”around the world”, como Armando Manzanero, Roger Greenaway, Gilbert Bécaud e Memo Remigi.

O Quente (1968), Reginaldo Rossi - Dono de voz áspera, agreste, o pernambucano Reginaldo Rossi iniciou trajetória como um sério e compenetrado seguidor do iê-iê-iê conforme formatado por Roberto Carlos. Lançado quando o próprio RC já desembarcara da onda, este terceiro LP (os dois anteriores, infelizmente, permanecem inéditos em CD) insiste na fórmula, com momentos afiados como O Valentão (seriam um alfinete agressivo dirigido a Erasmo Carlos versos como era um moço alto/ muito forte, bonitão/ as moças da cidade/ o achavam tremendão/ mas tinha a mania/ de ser muito valentão/ e vai acabar na prisão?). O golpe de mestre de Reginaldo aconteceria vários anos mais tarde, quando ele desistisse de parecer fulano ou sicrano e se consumasse como o originalíssimo “rei” irreverente do “brega” que se tornou.

Sergio Murillo (1968), Sergio Murillo - Príncipe da primeiríssima fase do rock’n'roll brasileiro, ao lado da princesa Celly Campello, o carioca Sergio Murillo brilhou com Broto Legal (1960), mas cedo foi suplantado pela avalanche iê-iê-iê. Em 1966, ensaiou uma volta por cima que, neste LP do alucinado 1968 já deriva para a dissolução, em temas melancolicamente saltitantes como A Felicidade, Comemorações e A tramontana, todos eles versões deslocadas num tempo em que Roberto e Erasmo já corriam a 200 quilômetros por hora atrás de rocks, souls e baladas de punho próprio.

Casatschok - La Maritza - Aqueles Tempos (1969), Joelma - O mar já não es´tava mais para peixe: o tom do texto na contracapa da terceira vinda de Joelma é queixoso, ao denunciar (talvez não sem certa dose de razão) ”o preconceito contra versões” no Brasil. Lamúrias e razões à parte, a cada vez mais derramada cantora insistia nas versões, e ia a extremos mais ou menos desabitados pela anglofilia popular brasileira, como na impagável versão para Casatschok, do russo Boris Rubaschkin. Como assim?, música “popular” russa em solo tropical, nos minutos estrondosos pós-AI-5?…

Sergio Murillo (1969), Sergio Murillo - Outro título particularmente interessante na coleção, a derradeira tentativa do “broto legal” nos anos 1960 soa menos nervosa e mais plácida que o LP anterior, como atestam temas tristes, mas quase discretos, como Tanta Chuva em Meu Caminho (de Nenéo). Transparece a busca talvez tardia de encontrar soluções extra-iê-iê-iê, como se nota na fofa toada caipira As Estradas, de Tom Gomes e Luis Vagner, ou em temas de futuros cantores soul dos anos 70, como o pernambucano Paulo Diniz (a automobilística Jaguar Especial, truque mais que atrasado de criar um O Calhambeque para Murillo), o carioca Hélio Matheus (o incrível country-western A Diligência, composto em parceria com o prócer da velha-guarda Klécius Caldas) e o argentino abrasileirado Fábio (Lia Não Existe, Ordem Geral).

 Como Antigamente (1974), Martinha - “Queijinho de Minas” trazido(a) para o sucesso em 1967 por Roberto Carlos (que lançou, avulsa, sua Eu Daria Minha Vida), Martinha encetou a partir dali a trajetória de uma cantora essencialmente tristonha, persona ainda predominante neste disco de sete anos mais tarde, em que sobressaem fossas como as de Erros e Defeitos, Eu Era Você e Sua Foto na Parede do Meu Quarto, todas parcerias com Milton Carlos (irmão de Isolda, autora de standards robertocarlistas como Outra Vez, de 1977). Todas são elaborações ainda mais deprimidas do romantismo álacre do Roberto Carlos dos anos 70. Nas curvas do tempo, é curioso matutar em como a canção de fossa de Dolores Duran evoluiu para a bossa nova, e em como, no reverso do espelho pop, a jovem guarda faceira redundou na canção de fossa de Martinha. E em como, de quebra, a cantora com o tempo foi desaparecendo, para dar lugar a uma mais tarde milionária compositora de bastidor de inúmeros sucessos de duplas sertanejas. Detalhe interessantíssimo: nos anos 60 belo-horizontinos, Martinha morava no mítico Edifício Levy, núcleo originador do Clube da Esquina, e era amicíssima do compositor Márcio Borges (vide a reportagem O clube imaginário).

 Rosemary (1974), Rosemary - O iê-iê-iê romântico da carioca Rosemary também sofreu transmutações quando os anos 1960 se transformaram em 1970. O registro tendeu ao pastoso, mas não no sentido deprimido de Martinha - Rosemary aflorou nos 70 como estrela lânguida, sensual, linda à maneira de alguma musa-fetiche de Serge Gainsbourg. O pique em geral é o da derretida Quero Ser Amada, e a segurança de Rosemary como cantora duela com o derramamento por vezes excessivos das canções (eu quero ser a sua dona de casa, diz a faixa citada, composta por Solange Corrêa e Vera Lemos). Em vez da faceta de estrela na passarela da Mangueira, também pertencente a Rosemary, aparece a de cantora de fossa, como na versão de arranjo soul-funk para A Noite do Meu Bem, de Dolores Duran.

Vanusa (1974), Vanusa - Chega a parecer uma regra: estrela pós-adolescente do momento de virada do iê-iê-iê em black music brasileira, no intervalo 1968-1971, a paulista Vanusa se converteu, nos 70, num cantora mais ou menos híbrida de fossa & fossas. O momento máximo dessa vertente, aqui, acontece na mui dramática Sonhos de um Palhaço, do então marido Antonio Marcos, que encontra linda e melancólica expressão na capa circense e enrubescida do LP. Para lá da fossa, mas ainda dentro dela, Vanusa se espraia entre composições próprias (a forte Você Depende), presente dos irmãos bossa-soul Marcos e Paulo Sérgio Valle (Momentos de Amor) e aparição do ultrapop Peninha (Coisas de Você), mais a Súplica Cearense de Gordurinha e Nelinho e o Alumiou de experimentalíssimo Hermeto Pascoal. Outro momento elevado da coleção.

 Rose Rose Rosemary (1976), Rosemary - A sexy Rosemary em versão meio Broadway, meio Marquês de Sapucaí, num tortuoso concerto dirigido pelo hiperbólico Abelardo Figueiredo. De Cole Porter (Just One of These Things), ela pula para a Exaltação à Mangueira, assim como pulula entre Esta Tarde Vi Llover, de Armando Manzanero, Esse Cara, de Caetano Veloso, Feelings, de Morris Albert, e Voltei pro Morro de Vicente Paiva e Luiz Peixoto. A presença constante de fundo, embora em versão tendente ao kitsch por outros e menos vibrantes atalhos, é a falsa baiana-portuguesa-carioca-norte-americana Carmen Miranda.

 Baton Vermelho (1987), Renato e Seus Blue Caps - Trata-se de um título extemporâneo na coleção este disco tardio do carioca Renato Barros com seus Blue Caps. Posterior a todas as febres, seja a do iê-iê-iê, seja a do pop-rock tipo Blitz dos anos 80, seja a do pop-balada tipo Roupa Nova ou Rádio Táxi na mesma época, Baton Vermelho funde elementos desses vários blocos de rocks em sua textura. À parte o teor engraçadinho bem anos 80 (mas bem mais moralista) de Unissex Total , o velho espírito Beatle ainda prevalece, em rocks ingênuos da estirpe de Julia.

 

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2 Respostas para “Pelas entrelinhas do iê-iê-iê”

  1. Mariana Barreto Disse:

    Caro Pedro Alexandre,

    faço um trabalho (tese) sobre o mercado fonográfico brasileiro, de fato sobre as majors no Brasil no momento atual, de transformações profundas pelas quais passa a indústria do disco.
    Vejo que vc. escreve com certa regularidade sobre o assunto e gostaria de saber sobre a possibilidade de entrevistá-lo. Queria ouvir sua opinião sobre alguns temas relevantes para meu trabalho.
    Estarei á sua disposição para maiores esclarecimentos.

    Atenciosamente,
    Mariana Barreto.

  2. Pedro Alexandre Sanches Disse:

    Oi, Mariana, estou à disposição, meu e-mail é pas@cartacapital.com.br. Abraço.

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